Advance Design 2027 Open API — Reimaginar os fluxos de trabalho da engenharia estrutural

18 June 2026Advance Design

Lukasz Jedrzejewski

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Advance Design Open API — Reimagining Structural Engineering Workflows

A análise estrutural como parte do fluxo de trabalho digital

Durante anos, o software de engenharia estrutural evoluiu principalmente através de motores de análise mais robustos, cálculos mais rápidos e verificações de dimensionamento mais rigorosas. No entanto, apesar destes avanços, a forma como os engenheiros interagem com o software estrutural permaneceu surpreendentemente inalterada: criar um modelo manualmente, definir cargas manualmente, executar cálculos manualmente e repetir todo o ciclo sempre que o projeto é alterado.

No ambiente atual da engenharia, essa abordagem está a tornar-se cada vez mais uma restrição do que um verdadeiro fluxo de trabalho.

Os projetos são entregues com prazos mais apertados. Os investidores esperam uma exploração mais ampla de alternativas de conceção. A coordenação BIM exige sincronização contínua entre disciplinas. As grandes empresas de engenharia procuram normalização e repetibilidade; as equipas mais pequenas procuram formas de eliminar trabalho repetitivo e concentrar a experiência onde esta realmente cria valor.

Com o Advance Design 2027, a Graitec introduz um passo significativo para responder a estas exigências: a Open API do Advance Design.

Não se trata apenas de outra interface de importação/exportação ou de um complemento de scripting. É uma API REST moderna e totalmente aberta que transforma o Advance Design de uma aplicação FEM autónoma numa plataforma programável de análise estrutural — capaz de  ser ligada a sistemas BIM, scripts de automatização, motores de otimização, ferramentas empresariais personalizadas, dashboards, serviços cloud ou processos de engenharia orientados por IA.

Da modelação manual à automatização da engenharia

Tradicionalmente, os engenheiros interagiam com o software FEM quase exclusivamente através da interface gráfica. Cada viga, apoio, caso de carga e combinação tinha de ser definido diretamente na aplicação. Este fluxo de trabalho é intuitivo e eficaz para projetos individuais.

No entanto, quando o trabalho se torna repetitivo, paramétrico ou orientado por dados, a interação manual transforma-se rapidamente num estrangulamento.

A Open API altera fundamentalmente este paradigma.

Em vez de operar manualmente o software, os engenheiros podem agora orquestrá-lo programaticamente. O Advance Design torna-se um motor de cálculo que responde a instruções externas — instruções que podem ter origem num simples script Python, numa aplicação de engenharia em C#, numa ferramenta de integração BIM, num configurador baseado na cloud, num algoritmo de otimização ou numa plataforma de automatização específica da empresa.

O impacto prático desta mudança é concreto. As tarefas repetitivas de modelação podem ser automatizadas. Centenas de variantes estruturais podem ser analisadas sem intervenção manual.

Os resultados são devolvidos como conjuntos de dados estruturados, prontos para relatórios personalizados, dashboards ou processamento a jusante. Pela primeira vez, a análise estrutural pode integrar-se naturalmente nos ecossistemas modernos de engenharia digital.

Na prática, a Open API permite que as equipas de engenharia passem de trabalhar dentro do software para desenhar fluxos de trabalho em torno da lógica de engenharia.

Baseada em normas industriais modernas

Um dos aspetos mais importantes da Open API não é apenas o que faz, mas como o faz.

A API baseia-se numa arquitetura REST — a mesma tecnologia que sustenta plataformas cloud modernas, sistemas empresariais e ecossistemas de software em todo o mundo. A comunicação é realizada através de JSON, e toda a interface é descrita utilizando a especificação OpenAPI (Swagger).

Esta escolha arquitetónica tem consequências relevantes. Como qualquer linguagem de programação capaz de enviar pedidos HTTP pode comunicar com o Advance Design — seja Python, C#, JavaScript, Java, Go ou TypeScript — as equipas de engenharia não ficam presas a uma cadeia de ferramentas proprietária. A solução é compatível com a infraestrutura existente da empresa e continua relevante à medida que a tecnologia evolui.

Igualmente importante é a natureza autodocumentada da especificação OpenAPI. Esta permite a geração automática de bibliotecas cliente, documentação, ferramentas de teste e modelos de integração. A Graitec também fornece exemplos prontos a executar em Python e  C#, reduzindo significativamente a barreira de entrada para equipas que iniciam a sua jornada de automatização.

O acesso público completo à documentação da API, aos esquemas OpenAPI, ao código de exemplo e aos recursos para programadores está disponível no repositório oficial: https://github.com/Graitec-Group/advance-design-api

O que pode ser controlado através da API?

A Open API expõe os fluxos de trabalho principais do Advance Design em quatro domínios principais.

  • A gestão de projetos cobre todo o ciclo de vida do projeto ao nível da sessão: criação de projetos, abertura e fecho dos mesmos, e gestão programática de sessões — dando às aplicações externas controlo total sobre o ambiente de trabalho.
  • A modelação estrutural permite definir materiais, criar secções, gerar elementos lineares e planos, definir apoios, criar aberturas em lajes e paredes, e gerir propriedades de elementos, incluindo excentricidades. Não é um subconjunto simplificado do ambiente de modelação — reflete os dados estruturais fundamentais que alimentam a análise FEM.
  • A definição de cargas permite criar casos e famílias de carga, definir cargas pontuais, lineares e superficiais, e gerar combinações de carga de acordo com as normas de dimensionamento. Uma funcionalidade particularmente poderosa neste domínio é a geração automática de cargas climáticas.
  • As cargas de vento e neve podem ser geradas diretamente através da API, com suporte para o Eurocódigo, normas canadianas e normas americanas. Isto significa que pipelines de geração estrutural totalmente automatizados podem incluir carregamento climático automático sem qualquer intervenção manual.
  • A análise e extração de resultados fecha o ciclo. A API suporta o lançamento de cálculos FEM e a recuperação de resultados como dados estruturados — deslocamentos, esforços internos e tensões, conectividade da malha e muito mais. Estas saídas estruturadas são adequadas para dashboards, sistemas de relatórios, fluxos de otimização ou pipelines de machine learning.

Aplicações práticas de engenharia

O valor real da Open API torna-se visível quando aplicada a problemas concretos de engenharia. Os cenários seguintes ilustram como esta tecnologia pode remodelar os fluxos de trabalho quotidianos.

Geração automatizada de pavilhões industriais

Os gabinetes de engenharia que projetam repetidamente pavilhões industriais, armazéns, edifícios logísticos ou estruturas metálicas porticadas enfrentam um desafio familiar: embora cada projeto difira nos seus detalhes, o fluxo de trabalho é quase idêntico em todos os casos. A geometria é definida, os pórticos são criados, as secções são atribuídas, as madres são geradas, as cargas são aplicadas, a análise é executada e as secções são otimizadas.

Com a Open API, todo este processo pode ser conduzido por um configurador simples. A partir de um pequeno conjunto de parâmetros de entrada — vão, altura do edifício, inclinação da cobertura, número de vãos, espaçamento entre pórticos, região de neve, categoria de vento — a API pode criar a geometria, atribuir materiais e secções, gerar cargas climáticas, lançar a análise e exportar os resultados. O que anteriormente exigia horas de modelação repetitiva pode ser reduzido a alguns segundos, libertando os engenheiros para se concentrarem na otimização, no julgamento de engenharia, na coordenação e na tomada de decisões.

Conceção paramétrica e exploração de variantes

Em muitos projetos, o primeiro conceito estrutural raramente é o ótimo. Os engenheiros comparam rotineiramente diferentes vãos, materiais, malhas estruturais, dimensões de secções e configurações de rigidez — mas  os fluxos de trabalho tradicionais limitam o número de variantes que podem ser realisticamente testadas, porque cada opção exige trabalho manual adicional.

A Open API remove esta restrição. Um script pode avaliar vinte combinações de secções de aço em cinco inclinações de cobertura e três espaçamentos entre pórticos, sob múltiplos cenários de carga, gerando automaticamente centenas de alternativas de conceção durante a noite. Na manhã seguinte, a equipa de engenharia tem acesso a rácios de utilização, tonelagem de aço, flechas, resultados de estabilidade e comparações de custo para todo o conjunto de variantes. Isto transforma o dimensionamento estrutural de uma sequência de tentativa e erro numa verdadeira otimização orientada por dados.

Sincronização BIM sem descontinuidades

Um dos desafios mais persistentes nos fluxos de trabalho BIM é manter a sincronização entre modelos analíticos e modelos de coordenação. Em muitas organizações, os engenheiros ainda dependem de exportações e importações repetidas de ficheiros entre plataformas — um processo moroso, propenso a erros e difícil de sustentar ao longo de todo o ciclo de vida do projeto.

Utilizando a Open API, as empresas podem desenvolver integrações diretas entre o Advance Design e os seus ambientes BIM. As secções otimizadas no Advance Design podem atualizar automaticamente os modelos BIM; alterações estruturais em plataformas BIM podem regenerar modelos analíticos; e os modelos de coordenação podem permanecer continuamente sincronizados. Em grandes projetos multidisciplinares, onde a velocidade de coordenação afeta diretamente a rentabilidade do projeto, este tipo de pipeline conectado oferece valor operacional substancial.

Relatórios personalizados e dashboards de engenharia

Muitas organizações de engenharia utilizam fluxos de trabalho de relatórios altamente personalizados. Os relatórios standard do software são frequentemente insuficientes porque os clientes exigem formatos específicos da empresa, os gestores necessitam de dashboards de KPI, e os sistemas internos de garantia da qualidade exigem integração de dados estruturados.

Sem automatização, os engenheiros despendem frequentemente tempo considerável a transferir manualmente resultados para folhas de cálculo ou documentação de projeto. Com a Open API, os resultados de análise tornam- se dados de engenharia estruturados que podem ser encaminhados automaticamente para modelos Excel, dashboards Power BI, bases de dados cloud, geradores PDF ou sistemas internos de gestão de projetos. Para além da poupança de tempo, esta abordagem melhora a rastreabilidade, repetibilidade e fiabilidade da documentação de engenharia — e dá aos gestores de engenharia visibilidade imediata sobre o estado do projeto e métricas de desempenho estrutural.

Uma base para futuras tecnologias de engenharia

Talvez a implicação mais estratégica da Open API não seja o que automatiza hoje, mas o que permite amanhã. A engenharia estrutural é cada vez mais influenciada por design generativo, fluxos de trabalho assistidos por IA, computação cloud e algoritmos de otimização — todos exigindo sistemas de software abertos, programáveis e interoperáveis.

Ao expor as suas capacidades principais através de uma API REST moderna, o Advance Design posiciona-se como uma plataforma preparada para esta evolução.

As equipas de engenharia podem construir ferramentas de automatização proprietárias, desenvolver plataformas de engenharia personalizadas, integrar motores de otimização, ligar pipelines de machine learning ou criar configuradores de engenharia voltados para o cliente. O software torna-se mais do que uma aplicação — torna-se infraestrutura para a inovação em engenharia.

Concebida para engenheiros e gestores de engenharia

A Open API não se destina exclusivamente a programadores de software. O seu valor de negócio é igualmente relevante para gestores de engenharia e para a liderança da empresa.

Para os gestores, a API permite a normalização dos fluxos de trabalho, a redução de tarefas manuais repetitivas, uma entrega de projetos mais rápida e uma maior consistência entre equipas — reduzindo, em última análise, o risco de erro humano e tornando os processos de engenharia mais escaláveis.

Para engenheiros em atividade, significa mais tempo para verdadeira engenharia: exploração mais aprofundada de alternativas de conceção, ciclos de otimização mais rápidos e melhor integração com ambientes BIM.

Importa referir que a Open API não substitui a interface gráfica. O Advance Design continua a ser um ambiente interativo e poderoso de engenharia estrutural. A API acrescenta uma capacidade complementar: automatização e integração sempre que estas criem valor, sem restringir nem modificar a experiência de utilizador existente.

Conclusão

A introdução da Open API do Advance Design 2027 marca uma evolução significativa no software de engenharia estrutural. Transforma a análise estrutural de uma atividade isolada em ambiente desktop num processo de engenharia programável, conectado e escalável.

O valor desta transformação vai muito além da modelação mais rápida. Reside em permitir formas fundamentalmente diferentes de trabalhar — geração estrutural automatizada, exploração paramétrica de conceções, sincronização BIM contínua, relatórios integrados e as bases para processos de engenharia orientados por IA.

À medida que os projetos de engenharia continuam a aumentar em complexidade, a capacidade de automatizar, integrar e escalar fluxos de trabalho definirá cada vez mais a vantagem competitiva. Com a Open API, o Advance Design 2027 dá um passo concreto rumo a esse futuro — não apenas como software FEM, mas como plataforma de engenharia estrutural criada para a próxima geração de fluxos de trabalho digitais.

Os recursos para programadores, a documentação da API, os esquemas OpenAPI e os exemplos Python e C# prontos a executar estão disponíveis em: https://github.com/Graitec-Group/advance-design-api

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